Martin Luther King sonhou


A história recente dos Estados Unidos começou a mudar quando uma senhora negra, Rosa Parks, em dezembro de 1955, foi presa por se recusar a ceder seu lugar para um branco, num ônibus, em Montgomery, no Alabama. Sua prisão provocou reação na igreja do jovem pastor, Martin Luther King, que, em lugar de aceitar mais essa afronta feita à população negra, mobilizou os fiéis para uma ação pacífica – o boicote dos ônibus, até não haver mais segregação racial. O boicote durou 381 dias, quando uma decisão da Suprema Corte declarou ilegal a segregação racial nos Estados americanos. Nesse período, os sulistas racistas estadunidenses tinham aumentado seus atos de violência contra a população negra e houve mesmo um atentado contra a casa de Luther King, que, por sua coragem, se tornou o líder do movimento anti-segregacionista, até ser assassinado 13 anos depois, antes de chegar aos 40 anos.Porém, Luther King tinha se imortalizado, em agosto de 1963, e enquanto houver a espécie humana será lembrado por seu sonho, em plena luz do dia, na Marcha cívica dos negros até o Memorial de Abraham Lincoln, em Washington. Deixando de lado suas notas às quais recorria, no seu discurso à multidão reunida à sua frente, como iluminado por uma inspiração, pronunciou de improviso o trecho final, conhecido em todo mundo pelo título Eu tenho um sonho. Esse sonho, espécie de visão profética, está em vias de se realizar. A nação americana, desde sua independência e sua declaração de igualdade entre os homens, com seus líderes míticos como George Washington, Benjamin Franklin, Abraham Lincoln e Franklin Roosevelt, serviu de farol para a humanidade. Suas fronteiras abertas para imigrantes chegados de todo mundo, seu conceito de liberdade e de respeito à livre expressão fazem parte de sua fundação. Porém, a imagem dos Estados Unidos vencedores da guerra contra o nazifascimo se ofuscou com suas distorçoes aos antigos ideais. Assim, os historiadores têm dificuldade de reconhecer como o mesmo país, esse atual que numa degenerescência incontrolada passou do macartismo à ideologia do medo, às prisões de Guantânamo, às guerras imperialistas à invasão e ocupação do Iraque, só para se citar as manifestações mais violentas do seu câncer, sem se omitir seu neoliberalismo moribundo, seus milhões de pobres e sem acesso a tratamentos médicos.

Os Estados Unidos de Bush são uma trágica e grotesca caricatura do sonho americano de liberdade e igualdade. Não se sabe ainda se o novo presidente conseguirá mudar a imagem dos EUA de hoje, se sua política poderá abandonar o protecionismo e favorecer a agricultura dos países pobres. Se a águia americana deixará de enfiar seu bico carnívoro na carne das populações do Oriente Médio, massacradas pelas suas bombas destruidoras. Mas há, pelo menos neste momento, um extraordinário estado de graça ou crédito mundial de confiança em Barak Obama. Depois do sonho de Martin Luther King é o sonho de toda humanidade, que conhece o peso da hegemonia americana, de um retorno dos atuais imperialistas às suas origens criadoras, que se confundiam com as dos revolucionários franceses. A chegada ao poder de um mestiço ou negro nos EUA pode ser um sinal de avanço, em todo o mundo, da vitória dos direitos humanos contra todos os conceitos de opressão, de raça e de exclusão. Dois prêmios Nobel acentuaram os EUA do racismo e da opressão – William Faulkner e Toni Morrisson – país ainda tão recentemente segregacionista e onde chicos e negros são cidadãos de segunda classe.

A eleição de Barak Obama se reveste de um caráter planetário, como se todos os países participassem dessa escolha e talvez prenunciando, que não muito longe desta nossa época, todos participarão da escolha dos dirigentes do planeta. Todos os países dão sondagens favoráveis com esmagadora maioria a Obama – que ele não frustre essa confiança mundial. A chegada de Obama à Casa Branca é a extraordinária vitória dos excluídos raciais e sociais e, nisso, revive o sonho americano, compartilhado no passado, quando o ex-lenhador Lincoln chegou à presidência. É a vitória dos mestiços de todo mundo e uma declaração inequívoca de que todos os homens são iguais. Mesmo em época de descrença geral, essa capacidade dos EUA de se renovar e de pôr um fim aos fascismo de Bush, faz muita gente sonhar tanto quanto Martin Luther King sonhou. Escrito por Rui Martins

About Laerte Junior

Laerte Junior Laerte Junior is a SQL Server specialist and an active member of WW SQL Server and the Windows PowerShell community. He also is a huge Star Wars fan (yes, he has the Darth Vader´s Helmet with the voice changer). He has a passion for DC comics and living the simple life. "May The Force be with all of us"
This entry was posted in Algo que Esqueci de Categorizar. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s